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A 5X Petróleo desta semana é com Duperron Marangon, da PhDsoft, empresa de tecnologia para gestão da manutenção de estruturas e equipamentos estáticos, mestre em Engenharia Oceânica e MBA em E-Business pela UFRJ, onde atuou como professor por 18 anos. Na entrevista, Duperron fala sobre a prevenção de acidentes como a explosão na plataforma Deepwater Horizon, que gerou o maior desastre ambiental dos EUA, com o vazamento de óleo no Golfo do México.
1X Estruturas complexas como plataformas de petróleo estão sujeitas a condições naturais que podem prejudicar sua integridade e provocar acidentes graves. Como se dá esse processo de degradação ao longo do tempo?
Mais de 80% do petróleo brasileiro é extraído no mar. O ambiente marinho é extremamente agressivo ao aço, que é o material da estrutura, assim como a maior parte dos equipamentos de bordo das plataformas offshore. Embora a pintura proteja o aço, esta também sofre com o ataque do ambiente marinho assim como do petróleo e raios ultra violeta. Quando a pintura se degrada e não protege mais o aço, este passa a sofrer um processo de corrosão galvânica que produz uma camada de óxido que inicialmente protege o restante do aço, mas acaba se desprendendo devido ao trabalho do material que se deforma em razão das cargas atuantes.
Assim, o aço nu volta a ser exposto ao meio agressivo e continua o processo de corrosão até que o material perca tanta espessura que já não possa mais resistir as cargas atuantes. Este processo pode levar a falhas estruturais, perda de contenção, vazamentos e formação de gases que, em última instância, podem provocar incêndios e explosões.
2X No caso da plataforma da British Petroleum (BP), a explosão de uma válvula acabou gerando um vazamento de proporções catastróficas. Em relação à essa parte técnica o que pode ter acontecido, na sua opinião?
No caso específico da plataforma da BP existe muita especulação sobre os fatos que levaram à explosão e seria prudente aguardarmos as conclusões da investigação. No entanto, temos que enfatizar que acidentes não decorrem de uma única causa. Em geral são diversas falhas que se combinam numa coincidência fatal. Evitando-se qualquer uma destas falhas podemos evitar o acidente. Ë muito provável que neste acidente, tal como em inúmeros outros, haja falhas humanas tais como decisões incorretas sob pressão.
Isso pode estar associado à falha de projeto dos equipamentos utilizados na operação, manutenção inadequada de equipamentos ou sistemas, legislação ou regulamentos excessivamente permissivos e falta de procedimentos e equipamentos adequados para conter o acidente. Se uma das falhas contribuintes tivesse sido evitada, então o acidente não ocorreria. Em um exemplo hipotético, se a tripulação tivesse tomado as decisões corretas ou o projeto do equipamento fosse mais apropriado para aquela operação, por exemplo, o acidente teria sido evitado.
3X O vazamento de óleo no Golfo do México já é tratado como o maior desastre ambiental da história dos EUA. Como um acidente dessas proporções impacta a costa marinha e o meio ambiente de um país como os Estados Unidos?
Isto depende um pouco do local atingido pelo vazamento. Quanto mais sensível, pior. O vazamento do Exxon Valdez, por exemplo, ocorrido no Alaska, provocou a morte imediata de mais de 200 mil aves marinhas, assim como de centenas de outros animais e bilhões de ovos de peixes como o salmão. Embora este acidente tenha ocorrido há mais de vinte anos (1989), estima-se que suas consequências continuarão sendo sentidas por pelo menos mais 10 anos. O acidente do Deepwater Horizon é bem maior do que o ocorrido com o Exxon Valdez. A quantidade de óleo derramado até o momento é cerca do triplo do total vazado naquele acidente, embora também haja muita discussão sobre estes números.
4X Como um sistema de manutenção e simulação de degradação de estruturas em plataformas de petróleo - como o PHDC4D, da PhDsoft - pode prevenir acidentes no setor, como o ocorrido no Golfo do México?
Falhas estruturais podem provocar vazamentos e formação de gases que levam a incêndios e explosões. Prevení-las, portanto, reduz as chances de ocorrência de acidentes graves que podem levar à conseqüências como as que estamos vivenciando no caso da Deepwater Horizon. O PhDC4D atua na gestão do conhecimento, apoio à decisão, padronização de informações e simula preventivamente os riscos, de forma a antecipar ações corretivas e assim evitar as falhas que levariam aos acidentes. Ele foi viabilizado pela intensa parceria com a Petrobras desde 1995, o que permitiu desenvolver a tecnologia que é hoje referência mundial na prevenção de acidentes decorrentes de falhas estruturais.
5X Os desafios da exploração no pré-sal brasileiro são maiores, em comparação a realidade do Golfo do México, devido às profundidades que se apresentam. Após o acidente com a plataforma da BP, a preocupação com essa situação aumentou no Brasil, haja vista, por exemplo, que técnicos da Petrobras foram enviados aos EUA para estudar o vazamento. O que o pode mudar no país em termos de prevenção a acidentes no setor petrolífero?
A Petrobras vem demonstrando ao longo do tempo muita maturidade com relação à prevenção de riscos em suas operações. O Brasil tem hoje, por exemplo, o mais moderno simulador para treinamento de operadores de plataformas offshore em decorrência da demanda da estatal. Outras empresas operando em águas brasileiras também podem fazer uso desta tecnologia e assim o benefício é estendido não apenas à empresa, mas ao país como um todo.
Ainda assim, a empresa estará aproveitando a experiência que vem buscando no acidente da BP. Poderá então aperfeiçoar ainda mais todas as frentes que contribuem para evitar as falhas que poderiam se combinar e culminar num acidente como este. É importante dizer que os cuidados para a prevenção de acidentes em qualquer contexto são maximizados após a ocorrência de um acidente fatal como este. No entanto, estes cuidados vão sendo reduzidos ao longo do tempo e este comportamento leva a ocorrência de problemas inicialmente pequenos, depois um pouco maiores, até que geram um novo grande acidente. Perceber este ciclo e assim evitá-lo seria a melhor forma do Brasil tirar algo de bom deste lamentável episódio.
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